segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pra cima deles Huayna!!!

Huayna-Potosi visto do caminho pro campo base

ForÇa de vontade, foi o grande resumo dessa aventura.

Natalenses, comedores de camarao, desportistas de fim de semana e olhe là.
Moradores ao nìvel do mar, num calor da molesta.

Altitude, Frio, Estafa, preparo fìsico, descrédito.

Nada disso nos derrubou.
Calma galera, só no treinamento

Nao foi tranquilo... Várias paradas, vàrias… Mas mesmo cansados, deitados na neve, estafados, falas como ¨para cima dele!¨ ¨vamos subir!¨ Eram o nosso apoio, nosso refúgio -sim, muitas vezes pensamos na nossa casa’… Um apoiando o outro…

SuperaÇao, emocao por chegar…. e realmente sentir o frio, sentir a altitude, sentir cada passo dado, sentir cada respiracao… lembramos ainda e sempre de tonito, turismo vivencial…

Voltando pro campo base, na morrana, depois da prática

Levaremos cada experiencia para sempre e as paisagens tiram o folego, mais atè que a altitude, mas o contato com as pessoas è que estamos valorizando por demais nessa viagem e nao è por menos…

Tres comedores de camarao (galados) fizeram o inacreditável... Chegaram os tres juntos a 6088m, chegaram ao cume do Huayna Potosí, uma magnifica montanha da Bolivia. Pois é, nao bastasse eles serem brasileiros, que de 5 chegam 2, potiguares, que vivem em 0º de altitude, eles nao sao alpinistas, nem mesmo praticam algum esporte. Mas com toda forca de vontade, herdada dos indios resistentes dizimados na guerra dos bárbaros, com a energia positiva que as pessoas queridas lhes enviaram, com toda paciencia dos guias que os acompanharam e, acima de tudo, com o apoio que um tinha do outro, eles conseguiram meus amigos... nós conseguimos. Nao foi nada facil, repito, foi inacreditavel.

Foi uma expeiencia demasiadamente emocionante, impossivel conter as lagrimas. Conquistar uma monatanha daquela, contemplar aquele visual divino, sentir o prazer da superaçao é, como diria nosso amigo Joao Neto (Bojao), extraordinário. Fisicamente nao teriamos conseguido, a soroshi que o diga, foi muita concentraçao no objetivo, foi a amizade que nos levou aos céus.

Estamos vivos e muito felizes!!!

A subida é horrível, cansativa, demorada e muito INGRID, mas chegamos lá! Sensacional!

Tudo comecou com o contrato na agencia
Mountain & Jungle, ligada a mesma que fizemos o downhill. Tudo por USD130,00 (bs 910,00), muito em conta pelo que vimos. Marcamos a provacao da roupas e quando chegamos já encontramos nossos guias, Sergio e Sabino, nada mais oportuno... A roupa te deixa um robo, mas imprescindível, como vimos dias depois.

A brincadeira que contratamos foi a de 3 dias: o primeiro só de treinamento, o segundo de subida ao campo alto e o terceiro de subida mermo!
Primeiro dia, acordar cedo, as 7h, tomar um desayuno muito bom, terminar de arrumar a bagagem que ficaria com Titi e partir para a agencia, chegando as 9h20. Fomos direto pro campo base, onde almocamos, muito farto por sinal, e conhecemos um pouco mais do nosso cronograma por estes dias. Otima oportunidade tambem para conversar com os guias e entender melhor essa de ser homem-gelo. Apos o almoco é hora de ir treinar. Ali perto tem uma geleira que serve para isso, roupas no corpo,
crampons e piolet, muitas tecnicas para subir gelo, tudo isso em 3h. Já deu pra sentir que nao seria fácil. Regressamos ao acampamento base, cena e dormir.
Segundo dia, acordamos as 8h, desayuno e partimos as 9h30 pro campo alto. Subida da morrana cheia de cascalho, isso com as mochilas lotadas de equipamento, pesada mesmo. 2h30 de subida pela montanha de pedra, coisa que qualquer cholita faz em 50min brincando. Imaginem nossa surpresa... As 12h no campo alto, almocamos, conhecemos alguns franceses que estavam por subir tambem e, claro, brasileiros. Estes nos disseram que ja eram escaladores e que tinham subido a morrana em 45min, e que pra subir o Huayna vomitaram, tiveram
dolores de cabeca, a porra toda, fudeu!!! Se caba preparado se fode assim, imagine os atletas aqui. Apreensao define esse momento. Nao deu outra, dormir. Acordados por Sabino, um dos nossos guias, as 18h pra cena, últimos esclarecimentos e dormir novamente.
Terceiro dia, levantamos as 00h, terminamos de arrumar as coisas e fomo pra base de gelo, 10m do campo alto. Lá colocamos os crampones e partimos para a subida mais fuderosa de nossas vidas. Após menos de 2h de caminhada geleira acima, Vitinho: Sergio, chegamos na metade? Sergio: Estamos perto dos 1/4. CARAJO! Nao deu muito tempo, todos os outros grupos nos passam, ficamos por ultimo, hehehe. Subidas e paradas, a montanha nao tinha fim. Exaustos chegamos a metade. Sergio: agora sim chegamos, faltam apenas 500m. Caminhamos como pudemos, muito mesmo. Caminhavamos e paravamos, tres passos e uma parada. Guias pacientes... Vitinho: nao aguento mais, daqui pra frente é só forca de vontade. Helinho: faltam só 300m, daqui ninguem volta! Vitinho: blz, mas vc ta vendo estrelas no gelo? Helinho: eu to vendo desde lá embaixo... Os guias optaram pela subida La
Pala Grande (ninguem fez essa, só nós comedores de camarao aqui) uma escalada fuderosa, mas rápida, já que o sol já nascia. Sergio foi abrindo caminho onde nao havia, o gelo quebrou umas 4 vezes. Joao disparou na frente com Sergio e quando encontravamos na metade do caminho, todas as aquipes ja voltavam pro campo alto, e passando pela La Pala Grande ascenavam: Go brasileños, go!!! Foi a estiga que precisavamos, emocionante. Entao por volta das 7h30, CONQUISTAMOS! O Huayna era nosso!!! Partilhado com todos voces! Precisa de descricao nao...

PEGA PORRA!

Com Sergio

Com Sabino

Papel de parede, como esse tem vários po lá

Pico menor, fica logo ao lado

A volta foi a pior de todas, exaustos, pesados e SEM água. Almuerzo no campo alto e descida da morrana. Tudo muito dificil, mas quem se importava, a felicidade era enorme.

Descendo, moooortos. O pontinho vermelho ali em baixo é o campo alto.

Tá gravado!

H0menagem, tá gravado2

Saída do campo alto, já descendo. Sabino e Segio.

V0ltando, passando pela morrana.


Fomos para LaPaz em paz e com mais uma pra contar.



Na agencia, dia após a descida. Sergio na foto.


Nossos premios

Nossos premios (2)

Nossos premios (3)

Titi nao podia ficar de fora dessa!

Gratos a todos que torceram, a quem colocou areia tbm, podem acreditar, isso tambèm ajudou…

Gratos a Sabino, Sèrgio que vivenciaram isso com a gente e com certeza tiveram grande responsabilidade nessa subida.

Gracias Sabino e Sergio!

Só pra dar noticias.


Os potyguares quebraram as estatísticas...

dos Brasileiros que sobem o Huayna Potosi, de cada 5 soh conseguem 2.

Pois subiram 3 e conseguiram os 3!! réééée


entao é isso, sosseguem meu povo que tah todo mundo bem, no hostal dormindo.

Mais detalhes com eles.


Abraços a todos.


Matias


quinta-feira, 9 de julho de 2009

A descida da morte

Lanchinho no desfiladeiro, com uma homenagem postuma ao lado...
Vai Cabeleira, inicio da estradinha...
A galera ja tava alucinada!!!
Chill, nosso guia fuderoso!!!

A turminha
Comemoracao
CARARRO!!!
Adivinha o que estava pendurado ai...

Outra dia comentamos sobre a estrada da morte no post sobre o caminho de Sta Cruz a Sucre. Bem, nao estavamos certos, o que eles conhecem de estrada da morte aqui é em outro lugar. Essa estrada fica em uma vale cercado de montanhas que liga LaPaz a uma pequena cidade chamada Coroico, mas segue ainda, só nao sei pra onde.






O Downhill é um passeio de aventura vendido pra turistas aqui, pegar essa estrada da "morte" de bike. Tudo comeca ainda em LaPaz, um pequeno desayuno pela propria agencia, a nossa foi a X-treme Downhill, especializada nisso, equipo incluso (bike, luvas, cutuveleiras, joelheiras, capacete de motocross, calca e colete), isso por Bs350,00 = USD50,00. Guia, mecanico e motorista da van tambem.






A descida é massa, comeca no asfalto por uns 30km ou mais, depois vai pra um cascalho, ai sim é a estrada da morte. Unico meio de acesso entre as cidade supracitadas, ja em desuso por ter sido construida uma nova, mais ampla e segura, e o que fazer com a velha? Manda os turistas brincarem nela...






No cascalho a estrada é bem estreita, coisa de 2m, do lado direito um paredao enorme e do lado esquerdo um desfiladeiro maior ainda. Muita neblina no inicio e um frio desgracado, é bom ir agasalhado. No caminho várias cruzes e homenagens as pessoas que ali cairam e se foram, inclusive outros turistas que tb estavam nessa de bike. Paramos muito para fotos e explicacoes do nosso guia Chui, apelido dele. E por falar nisso, mais um defensor de Evo, constatacao do que imaginamos, o povo mesmo gosta, acredita nele e defende a politica para os pobres.






Depois de umas 2 horas de descida paramos para um lanchinho tranquilo, é aqui que se tira o agasalho e continua so de camiseta. O melhor pao com ovo que ja comi, salvo o da minha avó Odete, claro! Uma coquinha, banana verde e chocolate. Daqui em diante a coisa fica mais aventureira e menos turistica. Para-se menos, corre-se mais. Impossível nao dividir o grupo: mais rapidos e mais lentos. Mas a frente a coisa se torna oficial, quem quiser ir mais rápido segue o Chil, quem nao, segue o Victor (nosso mecanico, hehehe).




Descemos por mais de 30min, Chil, eu e Gil (mineiro que estava no grupo) até que nao conseguimos mais ver o Gil, paramos e Chil conseguiu falar com o grupo que estava mais atras pelo rádio, Gil tinha caído e o grupo mais lento ja o tinha alcancado. Fiquei pilhado (como dizem os mineiros), só consegui me tranquilizar quando me disse que ele estava bem, so a bike tinha caído (pra quem ainda nao se tocou, é cair no desfiladeiro viu?!) Subimos ate o ponto da queda, onde ja se encontravam todos do grupo. Helinho fez um filme sobre. Chil muito atencioso foi logo conversar com o mineiro pra cuidar dele, mertiolate, alcool, água, tudo pra tranquilizar a galera, mas foi ali onde muitos se tocaram do real perigo da coisa. Aquelas cruzes no caminham nao estavam ali para enfeitar nao...




Dai em diante a coisa foi bem mais calma, acredito que nosso guia ficou mais preocupado. Mais 1h30 e chegamos a base da montanha, tomamos umas gelas com a rapaziada: nós quatro, como sempre, os mineiros Gil, Pedro Russo e Cabeleira e ainda o Frances Julian.




Nosso grito de guerra: CARARRO!!! engracada a historia, deixo para outro contar.




Abracos e beijos




Como diz meu amigo Titi: Pra cima deles Huayna!!!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Re encontros

Laguna verde

Laguna dos Flamincos

Agreste nordestino e pico do cabugi

Pico Gelado






Primeiro visitamos um cemitério de trens, de cara me senti em Surubim... todos os meios de transportes são as toyota de lá... sensacional... E já o primeiro cenário de tirar o fôlego: montanhas, pico gelado, vagões enferrujados e um monte de gente –turista- caminhando no cemitério, interessante esse contraste.


Partimos para o deserto, 12 mil Km quadrados de sal.


Chão Rachado, mais um encontro com o nordeste e tirando fotos inusitadas com o fundo branco, também nos encontramos com Macau.


Um mar de sal rodeado de montanhas, não chegava a ser picos do cabugi, mas de longe, bem de longe, queríamos nos reconhecer.


Mas o mais impressionante desse dia foi a isla de pescado, um agrupamento de corais de onde nasciam cactos enormes isso tudo rodeado por um mar de sal. A subida na ilha foi tranqüila após várias paradas para se abestalhar com a vista e com a própria isla... Imaginar aquilo tudo – um deserto- coberto dágua é difícil.


Um lugar místico com certeza. Mais próx. de Deus foi o que senti, num sei se pela beleza, pelo o ambiente, enfim... essas coisas não se explicam. Ao chegar ao fim da subida na ilha, encontramos um altar a pacha mama com várias oferendas, seja qual for a crença, é cativado pela mística do local.


Deixamos dois reais com o nome de cada um... quando forem podem procurar nossa oferenda e deixem a sua.
O nosso almoço foi algo bem regional... Carne de Llama – parecido com bisteca, só a forma, pq o gosto naum conseguir relacionar com nada. Um arrozinho hehehe... quinoa.
E papa frita... mto bom.


Nesse dia fomos para o nosso refugio, o sol que castigava feito nossa cidade desceu e o frio subiu, -15, no nosso refugio, a caverna de sal... um círculo de quartos fazia volta numa espécie de sala, onde tinha uma calefação bem caseira, mas era o lugar mais habitado da caverna.


Muito chá e sopa para agüentar ao som de musicas da terra, até a nossa lambada: “chorando se foi/ quem um dia só me fez chorar” hehehe risadas para aguentar o frio, companhia perfeita... Obrigado Amigos.


Bem foi tudo mto intenso, mto frio tbm... teve outros dias, só o deslocamento de uma paisagem a outra era incriível, lagunas, cordilheira, no segundo dia, antes de durmir, tive uma dor de cabeca, pelo frio e altitude, mas fui bem cuidado pelos companheiros que a cada sinal de melhora vibravam e pelo casal guia tbm que fizeram um chá salvador de coca...

E claro a trilha sonora, Caetan Castro e Carlos Ribas... Mto boas... mostramos trio pouca chinfra, um samba de pernambuco...

Acabamos numas termas, frio da porra, mas dentro da água, mto relaxante... e a paisagem linda também, quase não entramos, pelo frio, mas foi uma ótima forma de finalizar nossa estadia no deserto.

Abracos e Está tudo bem, tranquilo demais, altitude e frio estamos tirando de letra aqui em la paz...

SAUDADES.

FOI DO COROICO

pois eh... do COROICO. primeiramente, eu nao recomendo. Nao recomendo mesmoo. Mas quem se arrochar pra ir, saiba onde esta se metendo.

A paisagem eh estonteante. Um cenario que te deixa pequenininho tamanha a grandiosidade da obra. Grande somente como a descida.

Comecou as 7h. Chegamos na agencia, a Xtreme DownHill (recomendamos), entramos na van e la vamos nos, para alem de La Paz. Os 4 que vcs ja bem conhecem e mais 3 Mineiros que conhecemos no Salar e um Frances que apareceu lah na hora.

Na estrada, caminho ao "Cumbre" muito gelo. Ainda frio, nao se imaginava a adrenalina que ia esquentar geral. Aparece nosso café da manha. O bom e velho paozinho com manteiga e um leite com toddy ou chá de coca.

Equipamo-nos e o guia nos da as primeiras Instrucoes, leia-se, o que fazer se vier um onibus ou caminhao, por onde andar, os sinais para diminuir a velocidade ou parar… etc.

Bicicletinha pronta, simbora descer. Pense a estradinha de downhill assim: A BR-101 sem a duplicacao, e o acostamento com 1 metro. Alem disso eh penhasco. A primeira parte eh no asfaltinho. Blz de creuza, ja a segunda parte… como nos disse o guia, eh mais perigosinha heheheheh.

Cascalho, brita, pedra, chame do que quiser, o resto era areia e o infinito do penhasco. E assim descemos a estrada da morte. Nao pq morrem ciclistas lah… CALMA A TODOS OS PAIS E NAMORADAS, ehehehehe, mas sim pq antigamente quando por lah passavam onibus, aconteciam muitos acidentes.

Vimos inclusive os rastros da queda de dois onibus que cairam precipicio abaixo no mesmo dia, anos atras. No inicio do cascalhao uma nevoa e nuvens logo acima de onde estavamos era de realmente cair o queixo de tanta beleza.

No meio de tudo, mais uma aula de cidadania. Nosso Guia falando da luta dos que defendiam a causa do povo e que foram assassinados jogados de lah do downhill.

Mais no final, a roda frontal de um dos Amigos Mineiros se soltou. Sorte dele o capacete fechado e que era uma reta. Primeiramente pq do contrario ele teria perdido alguns bons dentes, e em segundo lugar pq se fosse curva, dentes seriam o de menos hehehehhe.

Ao final de tudo isso, chegado em Coroico (e quem foi o primeiro a chegar???) (depois do Guia claro, este que vos escreve ehehehehe), quase 2000m abaixo de onde partimos, tomamos uma cervejinha merecida após 4 horas de descida na adrenalina.

Um banho de piscina Gelado e um bom almocinho… prenuncio do retorno a La Paz. Todos Dormindo. Exhaustos. Mas é isso. O sono dos Sobreviventes ao Downhill.

Como eu iniciei termino, Nao recomendo a ninguem. Mas quem se arrochar pra ir, agora pode fazer ideia de onde esta se metendo.

aih as fotos. Ah, nas que mostram a paisagem, a listrinha branquinha e tenue ao longe eh a nossa estradinha pra bike, sentiu a pressao?

Para cima deles Huayna, para baixo deles Downhill!





antes da saida




Comecinho da aventura


asfaltaoo

A equipe Potyguar



Cascalho amigo

Ao longe nossa trilha


Lanchinho onde uma israelense se jogou de bike em 2001



a galera e o caminho


ee descida...


simbora downhill

Isso eh downhill em Coroico


Os sobreviventes!


Salar

Peidinho no Geiser

Pör do Sol no Salar

Cagol de Pedra


Laguna Espelhada


Sabe aqueles papeis de parede que você olha e pensa: gostaria de ver uma lugar assim de verdade! Pronto, nós vimos por estes dias. O salar de Uyuni é um lugar incrivel, muito lindo, mas bastante inóspito, o que nos fez pensar nas pessoas que ali viveram e que ainda vivem.

O Salar é um deserto de sal, em sua maioria, que mais parece uma praia branca. Lugar sagrado dos incas, tem em seu centro um pequena montanha chamada de INCAHUASI, casa Inca, mas pra turista ver eles a chamam de Ilha de Pescado. Outra maravilha do deserto que mantem em seu topo um pequeno altar de oferendas, lá colocamos uma nota de R$2,00 (somos estdiantes sem la plata) com nossos nomes e alguns dizeres pessoais.

Lagunas, montanhas, rochas deformadas pela erosao, geisers, tudo isso vc consegue ver em 3 dias, mas muito corrido. Fico com Joao na ideia de voltar com mais independencia, sem guia, passando o tempo que quiser, onde quiser, só que eu viria de moto (Aeh seu Gustavo e tio Nena). Essa correria no passeio turistico para gringo ver, criou até um mal estar na civilizacao (parafraseando Dessa e cia). Nós 4, uma francesa americanalhada e uma suica alucinada, imagine isso tudo dentro de um jipe! Foi sem nocao, mas nos divertimos bastante, nao conseguíamos parar de rir em momento algum. Nosso guia, sexta sabado e Domingos, segundo helinho, foi quem adorou…

O Salar de Uyuni é bem assim, um lugar mais para dentro que para fora, paisagens lindas e intocaveis que te fazem refletir. Ainda ei de voltar com uma moto e minha fada.

Ontem descemos o downhill, emocionante, mas tema para outro post.

O Huayna nos espera!

Abracos a todos!

Saudade de casa…

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cerro Rico III

Aula de Direito Constitucional II, Dr. Tonito, o lobo.
Constituicao Autografada






Cerro Rico III

Realmente uma das experiências mais fortes da viagem. Ponto alto atè entao.

Para quem gosta de historia geral e do Brasil tambèm iria gostar nao sò da visita nas minas de potosi, como tambèm do nosso guia Tonito, o lobo.

Um povo è construido pela sua història e a valorizacao de sua identidade erguido a ferro e fogo, no caso de Potosi, a prata, sangue, fogo, làgrimas e muita luta. O lobo nos deu mais uma aula.

Partilhamos as històrias, de escravidao brasileira sempre conversando com nosso guia, fazendo paralelos das nossas històrias e povos, percebendo como estavamos pròximos, mas claro, ouvindo mais que falando.

Inìcio com muita graca e bom humor junto ao nosso guia, fazendo dinamentes, nos fazendo beber alcool –tipo de cozinha, 96%- isso antes de subir. E sim, mascar muita coca, muita.

Subindo Cerro Rico, comeca o que ele chama de turismo vivencial, que segundo ele, è so com ele que acontece, nos leva a uma mina nada turìstica contando a història de cerro rico, sua tbm.

No seu depoimento evidencia 500 anos de exploracao, que os grandes momumentos da europa foram construidos com a prata de Potosì, atraves da exploracao dum trabalho de sol a sol, segunda a sabado numa situacao insalubre. E de quebra nenhum espanhol entrou na mina, mandavam os indigenas, em que cada um, tinha uma cota de prata para cumprir e nao cumprindo alguem da familia –ja aprisionada, tipo um caucao- era dada para cumprir a cota.

Falou tambèm das conquistas dos mineiros quando em 1952, ainda privada a mina, os mineiros reclamaram para si e para o Estado a admimistracao, numa luta com mta dinamite e sangue.

Como se nao ja bastasse, para arrematar ªo passeioª, o lobo nos falou sobre um abraco da paz, em que o rei da Espanha veio ate Potosi para selar a paz com o prefeito. E sua voz – de tonito- evidenciava para gente se o abraco devolveria a prata, se o abraco voltaria as vidas perdidas na mina.

E aqui nao tenho como nao fazer um juìzo de valor sobre tal depoimento e podem dizer que for, que foi apenas uma epoca, apenas història, mas penso sobre a nossa teimosia em esquecer a nossa història e identidade... Os negros, terras indigenas e hoje em dia queremos esquecer atè dos torturadores, nada muito longe, tempos dos nossos pais.

Uma paz sem voz, nao è paz è medo – D. Helder.
Abraco da paz?
Prefiro a voz de tonito, o lobo.

Meus amigos, quando alguem for tirar foto de algum monumento na Europa, pelo menos lembrem de onde veio... 1 minuto de silêncio no mìnimo.

Ao despedir, ele nos avisou que quando fosse fazer uma revolucao no Brasil, ele mandava as dinamites. ;p

A Constituicao como uma nova esperanca, um novo olhar ao povo tao usurpado durante a història... Aula de Direito Constitucional II, el lobo

Pois bem, o que a gente foi apenas uma aventura, para os mineiros è todo dia, a vida.

Pessoal sei que è mto texto, para colocar as fotos demora muito, MUITO.


Mas como amanha è nosso 13º dia de viagem, atendendo aos pedidos, vamos colocar sò fotos.

Abracos e estamos bem.

Cerro Rico 2

A primeira vista, um tanto quanto preconceituosa, poderia dizer que Antonio deve ser o pior guia. Um caba corcunda, franzino, quase sem dente, todo sujo... Essa é a imagem de vem vai fazer um tour com ele. Olhares deconfiados, afinal ja tinhamos passado por umas... e lido bastante coisa. Mas fomos assim mesmo.

A conversa foi logo direta: política, cultura e governo local. Nao sei se ele, nosso guia, percebeu, mas comecamos a conversar mais e mais sobre a situacao da latina. Antonio se revelou o Cara para esse passeio. Ex-mineiro, trabalhador de potosí e militante nas horas vagas. Conhecia mais sobre a historia latina que qualquer outro que encontramos por aqui, inclusive foi ele quem nos disse quem era Hilarion Chavez, que encontramos em Sucre.

Armados ate os dentes (Potosi é a unica cidade do mundo que compra-se dinamite na rua) fomos direto para a montanha rica, historia de sofrimento inimaginavel. Alguns dados assuntam, mais de 6 milhoes de indios assassinados na mina. Torturas inigualaveis. Mas desse sofrimento vem um sague guerreiro que construiu uma cultura linda.

Andar pelas minas apertadas e sufocantes nao foi facil, imagine viver isso todos os dias da sua vida, depois entendemos a corcunda de Antonio e seu corpo franzino. Mineiro desde os 14. Agora, este que cedeu parte de seu dia para nos fazer crescer e ainda assinou a constituicao que Helinho comprou, tenta mostrar aos turistas abestalhados que Potosí nao é só altitude e frio, nao é só compras e cervezas, é historia aberta de opressao e liberdade, de sangue e fé!

O ritual que participamos foi um dos mais intensos na minha história!

Um abraco nao vai devolver toda prata roubada e as vidas tiradas, mas pode ser um comeco para um amanha mais feliz.

Abracos a todos!
Saudade é nao saber

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cerro Rico I

Hola a todos e todas,


Ontem foi um dia fantástico! Esta frase tem sido redundante e pelo andar da carruagem será pelos próximos dias. A cada instante que passamos nessas terras nossas, coisas impressionantes acontecem.


Estamos em Potosí, a Cidade da Prata. Esta cidade, durante a colonizacao, chegou a ser mais rica que muitas metrópoles européias. Foi vice-reino da Espanha. Cerca de 80% de toda prata que foi levada para a Europa durante aquele periodo saiu daqui - do monte Cerro Rico. Era tanta prata, que algumas ruas de Potosí eram revestidas desse minério. Durante o dia, quem olhasse para a montanha podia ver os filoes de prata que reluziam ao sol. Por ter um clima frio, os europeus que aqui viviam podiam desfilar pelas calcadas com as roupas da alta costura do velho mundo. Era considerada a Nova Paris.


Contudo, tanto no pasado, como hoje, inseridos nesse sistema monstruoso, onde há riqueza, há pobreza, onde há muita riqueza, há muita miseria, onde há ostentacao, há muita exploracao. Todo esse glamour só foi possivel as custas de muito sangue indígena. Milhoes e milhoes de indios morreram dentro das minas de Cerro Rico. Por aquí, dizem que: se juntassemos toda prata extraida durante a colonizacao, daría para se construir uma ponte de prata de Potosi até a Europa. E se juntassemos todos os ossos dos indígenas que morreram dentro das minas, daría para se construir uma outra ponte de volta.



Ontem fomos conhecer as minas de Cerro Rico. Uma experiencia indescritivel. Com toda certeza, nao somos mais os mesmos. Como sempre tem acontecido, estamos dando muita sorte com as pessoas que conhecemos. O nosso guía, Antonio, é uma pessoa fantástica. Foi uma aula de história, de direito e de cultura. Respondendo sobre a politizacao do povo boliviano, é impresionante ver um povo que conhece e valoriza sua historia. E em valorizando, sabe que essa é sua arma contra a opressao que vivem durante seculos. Dento da montanha, o Antonio nos diz que sabe a historia da Bolivia de cor e que é preciso conhece-la, viver o presente, para poder mudar o nosso futuro (arrepios).


Nosso passeio foi diferente – que ótimo! Antonio nos disse, que existem minas para turistas, sao mais amplas, onde os turistas veem, tiram fotos e vao embora. Ele chama de turismo clásico. Nós fomos para uma mina verdadeira. Cheia de labirintos, caminhos estreitos e mineiros trabalhando de verdade. Antonio, nao gosta de turismo classico, ele so faz turismo vivencial. Os turistas precisam viver, pelo menos por alguns instantes, o que passam os mineiros todos os dias, para poderem refletir sobre aquela situacao, muitas vezes desumana, que se repete há seculos.


Foi uma experiencia impar, digna de diversos posts, pois foram muitas em uma. E cada um de nos experimentou de uma forma pessoal. Portanto, esse foi só um aperitivo do que vem por ai sobre Cerro Rico. Aguardem os posts de todos, com os detalhes.


Ps.: Foi muito intenso, estamos sentindo um pouco a altitude, mas nada que preocupe. Só umas leves dores de cabeca e a sensacao de que subimos uma escada correndo ao dar alguns passos lentos.


Ps.2: Ficaremos ausentes por uns tres días, vamos ao deserto de sal em Uyuni, ou seja, sem comunicacao. Aguardem um pouco que novidades virao.


Grande abraco a todos e todas,
Dentro da mina
Vendo o trabalho dos mineiros
Buraco de trabalho dentro da mina
Carro de levar minerios

Antonio, nosso guia maluco, na entrada da prisao de indios dentro do Cerro Rico

Sucre, Viva a Libertad!

Luzes de SUCRE
Hostel


Assinaturas no Livro do Bicentenário


Foto com SUCRE






Viva a Libertad!

Chegamos em Sucre, após uma viagem alucinada, caminho tortuoso.

Ao chegar, mesmo cansando, fomos desbravar a pca 25 de maio, tirando uma foto com o marechal de Ayacucho, Sucre, que completou a libertação da América do Domínio español com a vitória final de Ayacucho e assim liquidava o último reduto español, era amigo dileto de Bolívar, sendo até indicado por ele a sua sucessão, mas de tanto se encontrar com a morte aprendeu a ter medo dela e viu que a glória era inútil.

Após a foto, visitamos um prédio de forma bem despretensiosa, nem sabíamos o que era, ao entrar, estavamos no meio da sessão do parlamento andino. Em alusão e comemoração ao bicentenário de Sucre, a cidade da Liberade.

Fomos convidados a assinar o livro de comemoração.
Hélio Miguel Santos Bezerra, 23, Natal-RN Brasil, “até que tudo cesse, nós não cessaremos”.

Pelo dia a cidade é linda, suas praças, prédios e igrejas, assim como a noite tudo iluminado, rodamos um pouco pela cidade vazia, aparecemos num barzinho para provar a cerveja local, assim como a bebida típica, Sureña e Chufly.


Noutro dia, museu de máscaras que expressa a cultura de danças e manifestações culturais. Ao visitar o museu escutamos uma marcação de tambor e saímos correndo para ver o que era, ao chegar tinham também metais num cortejo pela cidade, era um velório.



AULA DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Após a manifestação da nossa chegada, os indígenas se concentraram na prefeitura querendo uma audiência, momento mais oportuno para o primeiro pedido. Uma constituição autografada, junto com uma escrita sobre o que pensa dela. Fui comprar a constituição na banca – li no jornal o golpe em Honduras, ficamos pensando
-ainda nos nossos dias?


Fui ao encontro de um indígena com um portunhol horrível – sim o portunhol – falando que era estudante de Direito e fiz o pedido do autógrafo, escrevendo o que ele pensava sobre – Matias deu uma ajuda aqui hehehe e João e Vitinho filmando a manifestação ao lado.

Ele nos de uma aula de Direito Constitucional, me portei apenas a ouvir a aula, mero ouvinte e de que um dia possa ter um pouco da mesma militância e não hesite em defender algo que acredite.

Seu nome era Hilarion Chaves, conversa rápida, mas no tempo de uma aula que nenhum doutor daria.


E assim,
após a aula ele entrou para audiência ,
para reclamar a sua luta, para seu povo... sem Hipocrisias
Estamos precisando de professores assim...

“a Constituição nos protege” Hilarion Chaves
E ele faz valer a licao com sua participação cativante.

A saudade aperta...
Está tudo bem...
Vamos a POTOSÍ

Sta Cruz, cidade dos bem nascidos

Chegamos em Sta Cruz dia 27 jun, cidade cinzenta e polo económico boliviano. Logo fomos a plaza 24 de septiembre, onde encontramos o alojamento Oriente, bem simples e simpatico. Nada de luxo. Logo saimos para almocar no mercado central. Conhecemos melhor a plaza, muito linda. Fomos ao parque central, que estaba em reforma e depois ao mercado pozo, igualzinho a 25 de marco paulista, confusao, correría, milhoes de camelos, e nos ali para observar.

tentando se orientar:
pracinha no meio do nada:

Catedral da plaza 24 de septiembre, criada para a visita do Papa Joao PauloII:

Na volta para o alojamento fomos abordados por falsos policiais, nao demos muito cabimento, como nos orientou o proprietario do alojamento e seguimos caminho. A noite em Sta Cruz é de playboy, tem uma rua cheia de boates onde o transito é paralizado pros play se embreagar (obs: nao pode beberna rua) Descobrimos isso bebendo tequila no meio da rua… Sorte o policial (desta vez de verdade) ser simpatico. Conhecemos alguns brasileiros que vivem por acá. Chegamos as 1h.

Acordamos tarde, 28 jun, fechamos nossa conta, almocamos no mercado central mais uma vez e partimos para rodo. Passagens compradas (bs70,00 ou R$21,00) e assistimos ao jogo, na hora de nossa saida o Brasil empatou, a rodoviaria de Sta Cruz ouviu a alegría dos brasileiros, tenham certeza. Assim encontramos mais brasileiros que nos informaram haver mais potiguares fazendo nosso roteiro, mas ainda nao os encontramos.
Ja de saida, percebemos que fomo engañados, busao horrivel, fedido, bancos normais, indignacao certa. Discutimos muito, atrasamos 30min por isso, mas decidimos partir assim mesmo ( lembrei do que mina namorada, Dessa, me diz sempre, tentar aproveitar e deixar de ser tao tenso) assim fizemos, ao menos poderiamos conhecer a realidade boliviana na integra, foi desse jeitinho, essa galera sofre… O caminho é o pior possivel, cheio de desfiladeiros, medo na certa, coisa boa é ter amigos nessas horas, brincamos, demos seguranca e rezamos (individualmente). Vimos um bus virado e soubemos, pelo jornal, de outro que matou 40. E foi assim que conseguimos chegar a Sucre, cidad da libertad.

Nosso bus:

ATENCAO PAIS, NAMORADAS E AMIGOS: ESTAMOS TODOS MUITO BEM! Aventura é assim mesmo, tentamos prevenir ao máximo, mas, as vezes, acontece.
Temos uns aos outros aquí e isso nos deixa bem mais seguros.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Surpresas, Emocoes e Encantamentos...

Como sempre o tempo é curto para postagens, mas vamos lá...


Ontem, tentamos postar um vídeo aqui... presenciamos uma manifestacao indigena em Sucre, foi mais uma surpresa nessa trip... ver o povo organizado, que luta por seus direitos e resiste a opressao continuada desde o século XVI... mas colocar videos aqui tá dificil, os arquivos sao muito grandes... vai fotos mesmo...

Manifestacao Indigena Em Sucre
Contudo, foi uma experiencia emocionante, rever os videos que já fizemos até agora, sabemos que está só no comeco, mas ontem, nesta lan house, vendo nossos videos, ouvindo uma musica latina, que o funcionario do estabelecimento estava executando em som ambiente, foi muito forte, as lágrimas encheram os olhos. O que é encrementado ao ver nossos familiares, namoradas, amigos e amigas, acompanhando, comentando, nos fortalece para continuar a nos encantar com essas veias abertas que sao nossa America Latina...

Presenciamos tbm uma sessao comemorativa do parlamento andino, pelo que entendi, estavam parlamentares da bolivia, peru e argentina.... foi outra surpresa... é que Sucre está comemorando seus 200 anos de liberdade, ela é conhecida como o lugar do primeiro grito de liberdade da américa latina ... postaremos mais sobre esses detalhes depois... vai foto...

Sessao do Parlamento Andino

Sobre Santa Cruz, que fomos antes de Sucre, nao teve muito o que ver, mas vai uma foto da nossa hospedaria. O mercado de lá é ótimo, a comida foi mais farta que em Sucre, vai tbm uma foto de lá... Parece que a galera só come Pollo (frango), toda esquina tem um... o nosso prato quase constante é pollo a milanesa, arroz e papas fritas (batatas fritas)... provamos tbm uma sopa ótima lá... "Sopa de Fidel", parece que era a comida que os revolucionarios cubanos comiam no meio da selva durante a guerrilha revolucionaria...

Nosso alojamento em Santa Cruz de la Sierra

Comendo "Sopa de Fidel" no Mercado Público de Santa Cruz

Um grande abraco a todos e todas que nos acompanham nessa trip, em breve mais posts, novidades e fotos... e contiuem comentando que nos fortalece...

Ps.: Marina, te amo muitaum, to morrendo de saudades...